Mistérios sem Respostas

Ao originar-se a Ordem dos Cavaleiros Templários, surgem com ela múltiplas interrogações. Os Templários foram, desde sua fundação, amplamente favorecidos pelos governantes e seguiram desta maneira até o fim de seus dias. Não foram a primeira ordem militar fundada no oriente, porém é necessário assinalar que, naqueles tempos, era crença geral que a mesquita branca, que foi dada aos Templários em Jerusalém, correspondia ao local exato da localização do Templo de Salomão. Hoje sabemos que este ocupava uma extensão muito maior, bem além da mesquita de Omar, que também foi utilizada pelos Templários. Cabe perguntar-se que razão impulsionou o Rei Balduíno, de Jerusalém, a doar um alojamento tão imenso a somente nove cavaleiros, no máximo quarenta homens se incluirmos os escudeiros e serventes, onde poderiam abrigar comodamente vários milhares, incluídas suas montarias. Por outro lado, não existe registro histórico de que os Templários, fundados para proteger os peregrinos pelos caminhos da Terra Santa, tenham participado de algum enfrentamento armado nos primeiros nove anos de sua existência e de que, nesse período, tenham admitido algum novo membro além dos nove cavaleiros originais. Isto carece de lógica em um agrupamento cujo objetivo era formar um exército permanente na Terra Santa. A que se dedicaram os Templários em seu obscuro início?

A busca


A grande maioria dos pesquisadores e historiadores coincide em afirmar que os nove fundadores dos Templários, nove, aliás, é um número que, como veremos mais adiante, preside as origens do Templo de Salomão, realizaram escavações no subsolo da Mesquita de Al-Aqsa. Que podiam buscar ali os cavaleiros? É lícito pensar que algo realmente importante, pois como já vimos, eles não permitiram a admissão de novos membros na recém criada Ordem. Isto parece significar que eles trabalhavam em segredo, e que o que buscavam deveria ficar longe de olhos alheios. Existe algum indício do que poderia haver motivado semelhante busca? Para responder a esta questão devemos remontar à história clássica.


O Templo de Salomão e Arca da Aliança


A bíblia não é somente um livro de religião. É também um livro que trata da história antiga, particularmente da saga dos hebreus. A existência da Arca da Aliança é citada diversas vezes com minuciosas descrições de seu formato e de sua trajetória. Debaixo da guia de Moisés, a Arca viajou com os hebreus desde o deserto do Sinai até Horma. Morto Moisés, ficou sob a custodia de Josué, passando então pelo Jordão e entrando na Palestina. Nos tempos de Samuel a Arca foi capturada pelos filisteus e levada a Ashod, a Gath e depois a Ekron. Espantados os filisteus com os poderes da Arca, que provoca mortes e enfermidades, é devolvida aos Israelitas, que a guardam em Kirjath-Jearim, de onde David a leva finalmente para Jerusalém. O filho de David, Salomão, coloca-a, então, no sanctum sanctorum do Templo que mandou construir: “ Então disse Salomão: Yavé, havias dito que habitarias na escuridão. Eu edifiquei uma casa para que seja tua morada, um de tua habitação para sempre.” (livro dos Reis: I,8-12,13). Depois disto, nenhuma menção nos livros históricos, somente lendas.
A tradição faz referência a multiplicidade de objetos sagrados que se guardavam no recinto do Templo. Fora a mencionada Arca da Aliança, este devia conter muitos outros tesouros e objetos valiosíssimos como o Candelabro de Sete Braços, chamado pelos judeus de Menorah, e a Mesa de Salomão. Da própria estrutura do Templo formavam parte duas colunas denominadas Jakim e Boaz, que segundo dizem algumas fontes, conteriam gravadas em suas paredes informações de capital importância. Mas, muito antes de haver chegado os Templários ao Templo, este já havia sido saqueado em várias ocasiões. Da época do espólio pelos persas, com Nabucodonosor II, não se conserva nenhum documento que faça referência ao tesouro. Tampouco sabemos se este foi restituído por parte de Ciro II ou se permaneceu escondido em Jerusalém todo esse tempo. Não se voltou a ter nenhuma notícia depois que Tito e suas legiões romanas arrasaram a cidade no ano de 70 d.c., tampouco sabemos qual foi o botim conseguido em seu saque, ou se menciona o traslado do Menorah ou da Mesa de Salomão.
Entretanto, existem indícios que nos fazem pensar que o elemento mais importante do tesouro do templo, a Arca da Aliança, foi escondido pelos hebreus em um refúgio previsto em caso de extrema necessidade. O sábio árabe Maimónides cita a existência de uma gruta secreta abaixo do primeiro Templo. Esta gruta, muito profunda, havia sido construída por ordem do próprio Salomão, que, prevendo uma futura destruição do templo, decidiu criar um esconderijo seguro para a Arca. Existe outra prova desse lugar secreto. Os alimentos das oferendas entravam em contato com os rolos sagrados da Tora, porisso os sacerdotes não admitiam que fossem jogados ao lixo. Se criou, então, um cemitério de objetos sagrados chamado Guenizá, e uma antiga tradição afirma que “quando a Arca foi enterrada, se levou à Guenizá o recipiente que continha o Maná, porque havia tido contato com as Tábuas da Lei”.
“Habitarás na escuridão” havia dito Salomão. Essa frase é significativa. Podemos portanto deduzir que o rei hebreu se referia a um lugar oculto, a salvo dos olhares e dos atos dos homens? Não teria pensado Salomão que, numa Jerusalém sitiada, A Arca da Aliança deveria ser o primeiro objeto a ser ocultado dos possíveis vencedores? Quando mais de mil anos depois, nove cavaleiros efetuaram escavações secretas nos subterrâneos do antigo templo, não podemos deixar de pensar: buscaram os Templários a Arca da Aliança?